Cuidado
Cuidado. Substantivo masculino que se atribui normalmente ao gênero feminino.
Existe um talento natural para cuidar do outro que tem o costume de se desenvolver bem longe do cromossomo Y? Por que será que as mulheres cuidam melhor?
O homem que cuida é algo incomum porque homens têm pouca habilidade para cuidar ou homens têm pouca habilidade para cuidar porque raramente são ensinados a fazê-lo?
Conheço homens cuidadosos, conheço mulheres sem muita habilidade para o cuidado. Eles são vistos como extraordinários; elas, como desmazeladas. Mulheres que cuidam são comuns, homens que não cuidam, também.
Nunca fui uma pessoa cuidadosa no sentido prático da palavra. Sou desastrada, não tenho muita aptidão para tarefas manuais, nunca tive sonho de me casar, e, por muito tempo, nem pensei em ser mãe.
Quando adotei minha primeira cachorra, fiquei na dúvida se conseguiria mantê-la viva. Hoje tenho duas: Mel tem quase 10 anos; Amora, quase 8. Tenho uma filha de oito meses. Eu não tinha nenhuma predisposição para o cuidado. Quando precisei, aprendi (exceto quanto às plantas, ainda não sei cuidar delas, embora ainda insista e sonhe com o dia em que serei chamada Fernanda das plantas, oremos!).
O meu ponto é que cuidado é aprendido. Um bebê não nasce com capacidade de cuidar. Talvez exista uma maior inclinação de algumas pessoas para o cuidado, como existem pessoas com maior inclinação para a música, para a escrita, para os trabalhos manuais. O básico do cuidado, entretanto, existe e pode ser aprendido por quem precise dele. A questão é: quem precisa aprender a cuidar? Em tese, todo mundo terá necessidade um dia, seja de cuidar de um idoso, de um bebê, de um cachorro, de uma planta, de si mesmo que seja.
E por que motivo a maioria dos homens insiste em não aprender a cuidar? Porque sempre haverá por perto alguma mulher a quem será imposta a obrigação de fazê-lo. Os homens têm opção de aprender ou não. E o que normalmente eles fazem? Uma escolha. A escolha de serem eternamente cuidados.
A disciplina do cuidado, meus amigos, é impositiva para a mulher. Para os homens, não passa de uma matéria optativa entre tantas outras à disposição na grade deles.

